31 julho 2013

Semeiam-se ventos, colhem-se tempestades

Cada vez que digo uma mentira, sou sempre apanhada. É automático, detectam-me logo... porque não tenho jeito para mentir e nunca tive.
Posto isto, não percebo porque é que (quando ainda estava debaixo da asa dos meus pais) cada vez que chegava um bocado mais tarde a casa e me perguntavam onde tinha andado, nunca acreditavam no que eu dizia. "Estive em casa da S." - Corriam logo para o telefone, para se certificarem da veracidade da minha afirmação. "Estivemos naquele bar, o A." - "Não estiveste nada, esse bar nem sequer está aberto até esta hora!"
"Vais ao cinema com quem? Vou-te lá meter à porta para não haver dúvidas!"

Hoje, a minha irmã é uma mentirosa compulsiva (só sabe é inventar e criar confusão - fora as assinaturas falsificadas nos testes e na caderneta), quando ela diz "vou à padaria", o que ela quer mesmo dizer é 'vou onde me apetecer, dar uma volta de bicicleta, fazer cambalhotas no parque, talvez passe por casa da N. para brincar um bocado com ela e termino no supermercado a comprar carambar's'.
Mas ela diz que vai à padaria e os meus pais acreditam. Ela diz que se atrasou porque                                   -> (preencher com a desculpa mais esfarrapada que conseguem imaginar) e os meus pais acreditam. Ela passa um trimestre inteiro a dizer que não tem testes e os meus pais acreditam. Ela passa duas semanas inteiras a dizer que os professores não têm mandado TPC e os meus pais acreditam.
Coitadinha da menina!

Tento desculpar os meus pais com a falta de paciência para se meterem em investigações, devido à idade. Mas na verdade, eles só estão a colher aquilo que semearam.

28 julho 2013

Estou a tornar-me numa daquelas velhas que dizem "pelas dores que tenho nos joelhos, vem aí chuva"

Aqui pela Bretanha, pelo menos na nossa zona, tem sido um fim de semana de tempestade. E o meu corpo está a tornar-se num adivinho para estas coisas.

4a feira, 15h30 - tive que pedir paracetamol a um casal de 85 anos. Estava com uma dor de cabeça daquelas que nem me aguentava em pé.
5a feira, 9h30 - antes de sair de casa tomei um pirolito qualquer para a gripe/dor de cabeça/mau estar do corpo. Meia hora depois já estava em casa.
5a feira, 16h - fui ao médico, 38,5º de febre e disseram-me que estava com um virús, para ter cuidado porque estava contagiosa para as outras pessoas. Comecei a drogar-me com a quantidade de medicamentos.
6a feira - estive pior do que no dia anterior. Com umas dores nas hérnias (sim, também já tenho hérnias discais desde os 20 pelos vistos) que não me aguentava. À noite comecei, outra vez, a arder em febre.
Sábado 3h20 - Começou a trovejar e a cair o dilúvio.
Sábado 8h30 - Recebo mensagem da minha irmã a dizer que a garagem do prédio estava toda inundada.
Domingo - Estou melhor, amanhã já posso ir trabalhar. Já não chove nem troveja (por enquanto).

Os bombeiros não tiveram mãos a medir durante o dia de ontem. Ruas inundadas, caves, garagens...
E o meu corpo adivinhou esta tempestade que se aproximava.


27 julho 2013

Dia dos Avós

Não escrevi nada sobre isso ontem, porque os meus avós que eu tanto amo já não estão neste mundo.
O meu avô materno, que nem era avô de sangue (o verdadeiro morreu quando a minha mãe tinha 12 anos), era aquele que me levava a passear de bicicleta sentada numa cadeirinha feita por ele. Tantos passeios que demos por aquela marginal em dias de sol. Era aquele que me levava até à escola de bicicleta, só porque eu pedia, apesar da escola ficar a 200m. Já mais crescida, era este o avô que me ía buscar a casa para eu sair com as amigas e que me encobria se eu chegava a casa mais tarde do que o previsto. E falava comigo sobre os namorados.
A minha avó materna, era aquela que me "estrafugava" com beijinhos e cócegas e fazia sopas maravilhosas que eu até comia ao lanche assim que chegava da escola. E tinha sempre bolo de iogurte no armário. Repreendia-me quando era necessário, mas fazia-me as vontades sempre que possível.

Os meus avós paternos não eram tão bons, nem se interessavam tanto por mim... Ainda assim, eu gostava de ir para casa deles. Mas isso mudou e, portanto, deixaram de existir para mim.


E vocês, têm boas recordações dos vossos avós? Ainda os têm por perto?

26 julho 2013

Quem já delirou com febre, ponha o dedo no ar!

Eu já!

Tinha tirado a carta em Dezembro e comprado carro na mesma altura. No carnaval do ano seguinte, já com carro, não parei em casa. Fui a todas as festas e mais algumas, durante o dia e à noite.
Na festa mais ingénua de todas, uma tarde num bar com a malta dos acólitos, apenas com direito a comer tostas mistas e beber sumos sem gás... esqueci-me que estava a dançar em cima do palco e comecei a andar normalmente. Passei a altura do palco para o chão, como se estivesse em solo pleno. Resultado: estiramento de ligamentos no pé direito.
Mas nem isso me parou de continuar as festas. Ainda não sabia que tinha algum estiramento de ligamentos. Aquilo deu-me bastantes dores na altura, mas sentei-me um bocado e aquilo acalmou. Dali até à noite nunca parei e, só por volta das 2h da manhã já com o frio a apertar e o cansaço a não me deixar dançar, notei que as dores eram cada vez piores. Fui para casa e pensei que no dia seguir iria acordar pronta para outra. Mentira!
Acordei a arder em febre (a caminhar para os 41º), com a garganta completamente lixada e um pé todo inchado, quase sem conseguir andar. Fui ao hospital e não sabia do que me haveria de queixar primeiro: da garganta, da febre ou do pé? 
Entretanto a minha mãe apareceu ao pé de mim no hospital, enquanto eu esperava calmamente pela minha entrada, mas completamente KO. A minha mãe abeirou-se a mim e disse: "Olha, quando estava a sair do carro... houve um homem que bateu no teu carro."
Eu não precisei ouvir mais nada. Desatei aos berros na sala de espera para as urgências, a chamar todos os nomes possíveis e imagináveis a toda a gente, a dizer mal da minha vida, que não tinha sorte nenhuma e que só a mim me acontecia tudo. Mas mesmo aos berros, ok? Conseguem imaginar?

Rapidamente me vieram buscar à sala de espera para me levar lá para dentro para as urgências - contou-me a minha mãe porque eu, após ela me ter dado a novidade de que me tinham batido no carro, "apaguei", entrei em delírio completamente.

25 julho 2013

As minhas 1001 caras


Lembro-me de quando era adolescente, em que conhecia sempre pessoas novas durante as férias de verão - amigos dos amigos, em festas, noutras terras - e depois procurava-as no hi5 e adicionava-as ao meu círculo. 
Passados alguns dias, quando voltassemos a estar juntos havia sempre alguém a dizer "Olha lá, tens lá fotos no hi5 que não são tuas, não és tu." (poker face)
Eu ficava sempre espantada e dizia que era eu em todas as fotos... Mas havia sempre alguém a insistir "Não és nada, está lá uma rapariga com um rabo de cavalo e óculos de sol e não és tu!" (poker face). Sim, era eu. E eu tentava convencer as pessoas disso, mas havia deles que não ficavam convencidos...
Era isso e as pessoas continuarem a dar-me 16 anos quando já tinha 20... Fui, por várias vezes, barrada à entrada de certos bares nocturnos por acharem que ainda não tinha 16 anos e todas as minhas amigas entravam facilmente. Houve uma certa noite que me esqueci do BI em casa e eu e as minhas amigas tentámos convencer o segurança à entrada, dissemos coisas parvas como "andamos todas juntas na mesma turma, é o 11ºCT1 pode perguntar a quem quiser, temos todas a mesma idade", mas ele depois dizia "então se têm todas a mesma idade, as meninas também não entram porque não têm 16 anos". Depois lembrei-me que o meu irmão era amigo dele e meti-o ao telemóvel com o meu irmão. Ele disse-lhe que eu tinha 16 anos sim senhor, e pronto. Assunto resolvido.

O problema é que isto continua a acontecer. As pessoas continuam a dar-me menos idade e até a minha própria mãe não me reconhece em certas fotos.
Noutro dia tirei uma foto durante o dia de trabalho e nada tinha mudado na minha cara. Mudei de óculos à pouco tempo, mas ela já me viu bastantes vezes com eles. Tinha o cabelo apanhado, como em tantos outros dias, devido ao calor e nada mais fora do normal. Ligou-me a perguntar que foto era aquela no meu facebook, que nem parecia eu - "A sério, eu sou tua mãe, mas tive que olhar bem para a foto para ver se eras tu. Pareces uma menina!".

22 julho 2013

E o euromilhões?!

Só assim por acaso, uma vez perguntaram-me se deixava de trabalhar se me calhasse o euromilhões.
Eu pensei no trabalho que tinha no momento, e a resposta foi "Não, adoro aquilo que faço e as pessoas que trabalham comigo."

Alguém que me pergunte isso outra vez, para eu pensar melhor no assunto...

Nos entretantos...

Completei mais um ano de vida, tive jantar(es) de aniversário, as prendas foram praticamente todas de bijouteria, estive na praia debaixo de chuva torrencial e trovoada, comprei uma ventoinha e tenho que dormir com ela ligada, o meu médico perdeu uma carta que me enviaram da segurança social, o meu médico foi de férias para Marrocos sem me resolver esta situação, deparei-me com uma guerra que anda pela blogosfera entre blogs pseudo-famosos (já repararam?!), tem estado um calor insuportável, senti muita falta dos meus (ex)colegas de trabalho no meu dia de anos mas o período melancólico já me passou (por enquanto).

E com vocês, tudo fino?!

14 julho 2013

Está tudo bem... (ou nem por isso)

Tem estado bastante calor e o sol tem vindo nos visitar todos os dias, pelos vistos por aqui está melhor do que em Portugal.
Estive de serviço este fim de semana, por isso nem tenho tido tempo de passar por aqui.
Estou cansada, sinto-me cansada fisica e psicologicamente. Terça-feira tenho folga, mas existem sempre coisas a fazer. Ou tenho coisas marcadas, ou temos de fazer compras e acabo por não descansar nada. Mas queria ver se conseguia passar a tarde da próxima Terça-feira na praia fluvial, uma vez que de manhã tenho sessão de fisioterapia e o G. tem um RDV (rendez-vous = compromisso) também durante a manhã.
Dia 19 faço anos, mas na minha cabeça parece que esse dia ainda está distante. Não quero fazer anos! Posso não fazer anos? No ano passado também não queria, tinha acabado de sair de Portugal e nem sequer o G. cá estava comigo. Este ano já é diferente, mas estou habituada a passar o meu aniversário rodeada das pessoas de quem gosto, dos que me são próximos (mesmo estando distantes agora).
Hoje estou assim... triste e com saudades daqueles que deixei em Portugal.

10 julho 2013

Dia de folga + Hospital + Sono + Conduzir

Ontem fui, outra vez, com a minha mãe de urgência para o hospital... Desta vez devido a um acidente de trabalho, felizmente nada de grave! 
Após me ter levantado às 7h30 no meu dia de folga, de ter andado a passear por lojas, de termos ido à descoberta de uma praia fluvial a 10kms de casa (estúpidos que não sabiamos da sua existência!), de vestir o bikini que tinha acabado de comprar para dar um mergulho (a água estava a 26º), de tirar o bikini para a minha irmã vestir e ir dar um mergulho, já cansada e preparada para me esparramar em cima da cama... calhou-me outra ida ao hospital de urgência, com quase 4h à seca. Deitei-me tarde e estava completamente estafada! Hoje andei a dormir em pé durante largos momentos... e isso fez-me lembrar de cenas.

Tempos em que no meu (ex)trabalho eu e o P. tinhamos de ir algures em trabalho - Estremoz, Torres Vedras, Alenquer, Castelo Branco, Sertã, Oliveira do Bairro, Figueira da Foz, Ourém, Tomar, Amadora - às vezes quase de madrugada, outras vezes nem por isso, mas a seguir ao almoço também era complicado. As viagens eram sempre engraçadas (ou não!) porque o P. tinha tendência para adormecer ao volante. E eu tinha tendência para adormecer ao lado dele no carro. Às vezes apanhava sustos, outras vezes não. Mas lembro-me de virmos uma vez de Alenquer a seguir ao almoço, eu estava bem acordada e de repente vejo o carro a ir em frente numa curva! Olhei para o lado e o P. já estava de olhos fechados... pensei que daquela vez não nos iamos safar, mas tivemos sorte. Bastou gritar PPPPP, ele abriu os olhos e corrigiu a situação. Outras pessoas também apanharam sustos com o P., como subir passeios, etc.
Eu também tenho tendência para a moleza ao volante, então se for à noite esqueçam tudo o que  possam ter visto. Isso assusta-me um bocado, porque faço muitas deslocações de carro durante o dia... e em dias como o de hoje, que andei quase sempre a dormir em pé, tenho medo de um dia não reagir a tempo.
Hoje, a seguir ao almoço, precisamente uma das alturas mais críticas para se conduzir (ainda para mais com este calor) vi um acidente a caminho do trabalho. Alguém que, muito provavelmente, não teve tempo de reagir e enfiou-se por um local onde a estrada seria normalmente, mas que está fechada devido a trabalhos para passar o TGV. Basta estarmos mais distraídos ou mais moles ou com mais sono para o tempo de reacção aumentar e pronto.
Era só isto, já desabafei!


08 julho 2013

Balanço positivo

Dia 5 de Julho de 2013 fez 1 ano que saí de Portugal e cheguei a França. No dia 6 já estava numa reunião no centro de emprego e no dia 2 de Agosto comecei a trabalhar para uma empresa. Passados uns dias comprei 1 carro. Em Setembro fui a uma entrevista e a 8 de Outubro comecei a trabalhar para a 2ª empresa e assim fiquei com 2 trabalhos a tempo parcial. Aluguei uma casa, com os primeiros ordenados comprei tudo o que era indispensável para ter e viver numa casa e a 15 de Novembro já cá tinha o meu gentleman.
Nada mau, han?!

Portanto, não comecemos a pensar só nas coisas menos boas (ou más).
Emigrantes ou não, quem está comigo? Vamos fazer um balanço positivo do último ano?


04 julho 2013

A minha melhor amiga idosa

Na terça-feira fui visitar 'a minha melhor amiga idosa', a Mme R., ao hospital. Dito assim, parece-nos logo um cenário de horror! Mas se aqui os hospitais primam pelas instalações e máquinas de última geração, então imaginem um centro hospitalar privado. Quando entrei para a zona dos quartos tive a sensação de estar no corredor de um qualquer apartamento num condomínio privado, tal é o bom aspecto, o asseio, a simpatia e o facto de todas as portas dos quartos estarem fechadas de forma a proporcionar toda a privacidade a cada doente.
Quando cheguei à porta do quarto 1409, as enfermeiras que passavam perto já sabiam da minha ida, que a Mme R. gosta imenso de mim e que estava ansiosamente à minha espera.
No dia antes tinha falado ao telefone com o filho da Mme R., para me inteirar do seu estado de saúde e se poderia ir visitá-la... mas essa parte nem precisei de perguntar, pois ele próprio fez questão de me dizer para ir visitá-la, se pudesse e quisesse, porque tinha a certeza de que lhe iria fazer muito bem, uma vez que ela gosta imenso de mim iria ficar muito contente! Foi bom ouvir alguém que não conheço, dizer "Não nos conhecemos, mas eu sei que és uma pessoa muito importante para a minha mãe. Ela gosta muito de ti e sei que pode contar contigo, que estás sempre a torcer por ela. Por isso, adorava que a fosses visitar, tenho a certeza que isso lhe vai dar imenso prazer e ela irá ficar extremamente contente."
E assim foi!

01 julho 2013

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