17 agosto 2013

Há dias em que deito francês pelos olhos

Na quinta-feira também por aqui foi feriado. Fomos todos passar o dia na praia, o tempo esteve bastante agradável!
Na hora de comermos o nosso almoço, constatei porque é que os francês/ingleses que estavam ao nosso lado serão magros forever e nós seremos balofos forever. Enquanto eles começaram por comer umas fatias de melão, nós atacámos logo nas sandes de carne estufada. Quando eles passaram para a parte de comer umas saladinhas, nós fomos para a 2ª sandes de carne. No fim, eles comeram umas bolachas tipo de sementes de arroz e nós comemos nectarinas. Já eles tinham parado de comer e nós ainda fomos comer uma fatia de bolo de chocolate!
Mas nem em tudo eles são melhores do que nós. Não faço ideia à quanto tempo estão em França, mas tinham um miudo para aí com 5 anos que já só fala francês, portanto, tirámos as nossas conclusões. No entanto, eles são me-do-nhos a falar francês! Têm uma pronúncia que não lembra nem ao menino Jesus e não sabem, ainda, conjugar os verbos, pelo menos, no passado. Mas ok, tuuuudo bem! São ingleses e tal, a malta desculpa.
Agora, se há coisa que me aflige é ouvir os portugueses daqui a falar francês: não consigo mesmo perceber qual a dificuldade em falarrr com a acentuação dos rrrrr na garganta e não na língua. Se eu consigo, porque é que eles não conseguem? Han? Ou é só preguiça ou então não sei... Daí é facílimo para nós reconhecermos os portugueses a passarem por nós no supermercado, a falar um francês mal falado, apenas porque nós vamos a falar português e eles não querem ser reconhecidos. Poupem-se ao trabalho, sim? Porque só fazem figura de ursos e nós ainda gozamos convosco, porque não sabem falar!


Não nascemos a saber tudo, mas temos que fazer esforços. 
Ao fim de 4 meses de cá estar tive pessoas a perguntar-me se tinha feito algum curso de francês. Não fiz. Ao fim de 6 meses tinha gente a questionar se já cá estou desde pequena. Não estou. A partir daí o meu nível de francês foi sempre a subir e hoje, que estou cá há 13 meses e meio, já quase ninguém percebe que eu não sou francesa.
Tenho o meu chip tão bem programado, que assim que chego a casa falo português, mas se encontramos alguém português por aí, a minha cabeça pensa em francês mas expele as palavras em português. Nem sempre é fácil de gerir!
Outra coisa que contribui para isto, é falar com as pessoas e saber dos acontecimentos por aqui e conhecer todos os cantos desta zona. E os portugueses continuam a pecar muito nisso.
A dada altura, na quinta-feira, encontrámos um português com os filhos na praia. Estivemos ainda algum tempo à conversa dentro de água e, às vezes, parecia que estava a falar com algum extra-terrestre que caiu aqui num ovni. Como é possível não conhecer nem uma terra que fica mesmo ao lado da terra onde ele mora? Tipo, a 8 ou 10 kms! Como é possível não conhecer nada na capital da Bretanha?
Mais uma vez, não consigo perceber isto. É óbvio que todos viemos aqui para trabalhar, mas também para viver. Em Portugal, por muito poucos recursos que tivessemos, conseguiamos sempre arranjar uns trocos para sair nos fins-de-semana, ir passear a algum lado ou ir beber um café à beira mar. Aqui tem que se fazer o mesmo! Não somos mulas de carga e muito menos o trabalho tem de estar à frente de tudo.

Quando é que vão perceber isto, portugueses emigrantes?

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