02 agosto 2013

Coisas da Vida!


No meu trabalho deparo-me, diariamente, com pessoas que têm Alzheimer - seja no início da doença, ou num estado mais avançado, não deixa de ser algo inquietante.
A primeira vez que me cruzei com alguém assim custou-me bastante e não sabia o que dizer.  
Será que devo referir que ela me perguntou isto há 2 minutos atrás? Devo dizer que ela me disse que tinha uma filha, há 5 minutos e, agora, diz que não tem filhos? O que posso ou não dizer? Que atitude hei-de ter? Eram questões que pairavam na minha cabeça...
Após algumas intervenções percebi que o melhor é responder sempre da mesma maneira, mesmo que perguntem a mesma coisa de 5 em 5 minutos. E aceitar o que eles dizem, mesmo que num dia nos digam que são divorciados e no dia a seguir, afinal, nunca foram casados. Mesmo que numa hora tenham 60 anos, mas daqui a um bocado já tenham 86. Responder sempre e aceitar o que dizem.

Talvez por isso, hoje tenha encontrado um caderno com o registo de datas importantes para um casal. A data em que ela foi operada à anca. As datas dos almoços de família. De quando venderam a casa que tinham em Lion. Quando refizeram a cozinha. Quando foram de férias e onde...
Datas de uma vida em comum!
Naquele caso, sei que se algum deles vier a ter esta doença, haverá sempre alguém a pegar naquele caderno para os relembrar dos factos mais marcantes que aconteceram na vida deles... Afinal, ao longo da vida, foram eles que escolheram e fizeram a triagem dos momentos mais importantes a registar naquele livro.

2 comentários:

  1. Essa é uma das doenças que mais temo...perder a memória do essencial...do que amamos do que somos inclusivamente é aterrador...!
    Parabéns pelo trabalho que fazes!
    Bjs
    maria

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  2. é assustador, de conviver com pessoas assim e de ficarmos nós ou os nossos assim. tb é uma coisa a que não me consigo habituar, é uma perda de identidade terrível*

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E vocês, o que acham?!

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